Emissões Atmosféricas

Dioxinas e furanos, VOC e poliaromáticos: como monitorar compostos orgânicos em emissões

Duto AmbientalAtualizado em 16/08/2026Leitura: 3 min

Trem de amostragem com resina XAD-2 para coleta de dioxinas e furanos em chaminé

Dioxinas e furanos (PCDD/F), compostos orgânicos voláteis (VOC), semivoláteis (SVOC) e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (poliaromáticos, HPA) são os compostos orgânicos mais críticos em emissões atmosféricas — alguns tóxicos em concentrações extremamente baixas. Seu monitoramento exige métodos específicos, meios de coleta especiais como a resina polimérica XAD-2 e laboratórios com alta capacidade analítica.

O que são dioxinas e furanos?

São famílias de compostos organoclorados (PCDD e PCDF) formados de modo não intencional em processos de combustão que envolvem matéria orgânica e cloro — incineração de resíduos, coprocessamento, metalurgia, crematórios. São persistentes, bioacumulativos e classificados entre os poluentes orgânicos mais tóxicos que existem; por isso os limites de emissão são expressos em nanogramas por normal metro cúbico, em equivalência tóxica (ng TEQ/Nm³).

Como é feita a amostragem de dioxinas e furanos?

  1. A coleta segue o método USEPA 23 (e o correlato CETESB), em amostragem isocinética de longa duração;
  2. O trem de amostragem inclui filtro e um cartucho com resina XAD-2 — meio adsorvente que retém os compostos orgânicos presentes no efluente gasoso;
  3. Todo o material segue sob cadeia de custódia para análise por cromatografia de alta resolução (HRGC/HRMS);
  4. Os resultados são convertidos em equivalência tóxica (TEQ) e comparados aos limites — por exemplo, os da Resolução CONAMA nº 316/2002 para tratamento térmico de resíduos.

VOC: compostos orgânicos voláteis

Os VOC — solventes, hidrocarbonetos leves, vapores de combustível — são medidos em chaminé por dois caminhos principais:

Fontes típicas: cabines de pintura, indústrias químicas e petroquímicas, gráficas e processos com solventes.

SVOC e poliaromáticos (HPA)

Os semivoláteis e os poliaromáticos — como o benzo(a)pireno, reconhecidamente carcinogênico — são coletados também com resina XAD-2 (CETESB L9.232 / USEPA 0010) e analisados por cromatografia. Estão associados à queima incompleta de biomassa, carvão e óleo, e a processos siderúrgicos.

Quem precisa monitorar esses compostos?

AtividadeCompostos críticos
Incineração e coprocessamento de resíduosDioxinas e furanos, VOC, SVOC
CrematóriosDioxinas e furanos, VOC, mercúrio
Siderurgia e metalurgiaDioxinas e furanos, HPA
Cabines de pintura e uso de solventesVOC
Caldeiras a biomassa e óleoHPA, VOC

Por que o laboratório importa tanto aqui?

Limites em nanogramas exigem brancos de campo rigorosos, recuperação de padrões internos e análises rastreáveis. Um deslize na cadeia de custódia invalida a campanha inteira — que, nesses parâmetros, é longa e cara de repetir. Trabalhar com laboratório acreditado e equipe experiente em USEPA 23 é o que garante resultado aceito pelo órgão ambiental na primeira tentativa.

Perguntas frequentes sobre dioxinas, furanos, VOC e poliaromáticos

O que é a resina XAD-2?

É uma resina polimérica adsorvente utilizada no trem de amostragem de dioxinas, furanos e compostos semivoláteis: o efluente gasoso passa pelo cartucho resfriado e os compostos orgânicos ficam retidos na resina, que depois é extraída e analisada em laboratório.

Qual método mede dioxinas e furanos em chaminés?

O método de referência é o USEPA 23 (com correspondentes CETESB), em amostragem isocinética de longa duração com filtro e resina XAD-2, seguido de análise por cromatografia gasosa de alta resolução acoplada a espectrometria de massa (HRGC/HRMS).

O que são VOC e SVOC?

VOC são compostos orgânicos voláteis (solventes, hidrocarbonetos leves), medidos por FID (USEPA 25A/MHFID) ou VOST. SVOC são os semivoláteis — incluindo os poliaromáticos (HPA) —, coletados com resina XAD-2 e analisados por cromatografia.

Quais indústrias precisam monitorar dioxinas e furanos?

Principalmente as que fazem tratamento térmico de resíduos (incineração, coprocessamento em fornos de cimento), crematórios, siderúrgicas e fontes com combustão de materiais contendo cloro. A exigência consta da licença de operação e da Resolução CONAMA nº 316/2002.

Por que os limites de dioxinas são tão baixos?

Porque são compostos extremamente tóxicos, persistentes e bioacumulativos: efeitos ocorrem em doses minúsculas. Por isso os limites são expressos em nanogramas de equivalência tóxica por normal metro cúbico (ng TEQ/Nm³).

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