Emissões Atmosféricas
Dioxinas e furanos, VOC e poliaromáticos: como monitorar compostos orgânicos em emissões
Dioxinas e furanos (PCDD/F), compostos orgânicos voláteis (VOC), semivoláteis (SVOC) e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (poliaromáticos, HPA) são os compostos orgânicos mais críticos em emissões atmosféricas — alguns tóxicos em concentrações extremamente baixas. Seu monitoramento exige métodos específicos, meios de coleta especiais como a resina polimérica XAD-2 e laboratórios com alta capacidade analítica.
O que são dioxinas e furanos?
São famílias de compostos organoclorados (PCDD e PCDF) formados de modo não intencional em processos de combustão que envolvem matéria orgânica e cloro — incineração de resíduos, coprocessamento, metalurgia, crematórios. São persistentes, bioacumulativos e classificados entre os poluentes orgânicos mais tóxicos que existem; por isso os limites de emissão são expressos em nanogramas por normal metro cúbico, em equivalência tóxica (ng TEQ/Nm³).
Como é feita a amostragem de dioxinas e furanos?
- A coleta segue o método USEPA 23 (e o correlato CETESB), em amostragem isocinética de longa duração;
- O trem de amostragem inclui filtro e um cartucho com resina XAD-2 — meio adsorvente que retém os compostos orgânicos presentes no efluente gasoso;
- Todo o material segue sob cadeia de custódia para análise por cromatografia de alta resolução (HRGC/HRMS);
- Os resultados são convertidos em equivalência tóxica (TEQ) e comparados aos limites — por exemplo, os da Resolução CONAMA nº 316/2002 para tratamento térmico de resíduos.
VOC: compostos orgânicos voláteis
Os VOC — solventes, hidrocarbonetos leves, vapores de combustível — são medidos em chaminé por dois caminhos principais:
- USEPA 25A / MHFID — analisador de ionização de chama que mede hidrocarbonetos totais em tempo real, direto na fonte;
- VOST (SW-846 0030) — coleta em tubos adsorventes para especiação dos compostos voláteis em laboratório.
Fontes típicas: cabines de pintura, indústrias químicas e petroquímicas, gráficas e processos com solventes.
SVOC e poliaromáticos (HPA)
Os semivoláteis e os poliaromáticos — como o benzo(a)pireno, reconhecidamente carcinogênico — são coletados também com resina XAD-2 (CETESB L9.232 / USEPA 0010) e analisados por cromatografia. Estão associados à queima incompleta de biomassa, carvão e óleo, e a processos siderúrgicos.
Quem precisa monitorar esses compostos?
| Atividade | Compostos críticos |
|---|---|
| Incineração e coprocessamento de resíduos | Dioxinas e furanos, VOC, SVOC |
| Crematórios | Dioxinas e furanos, VOC, mercúrio |
| Siderurgia e metalurgia | Dioxinas e furanos, HPA |
| Cabines de pintura e uso de solventes | VOC |
| Caldeiras a biomassa e óleo | HPA, VOC |
Por que o laboratório importa tanto aqui?
Limites em nanogramas exigem brancos de campo rigorosos, recuperação de padrões internos e análises rastreáveis. Um deslize na cadeia de custódia invalida a campanha inteira — que, nesses parâmetros, é longa e cara de repetir. Trabalhar com laboratório acreditado e equipe experiente em USEPA 23 é o que garante resultado aceito pelo órgão ambiental na primeira tentativa.
Perguntas frequentes sobre dioxinas, furanos, VOC e poliaromáticos
O que é a resina XAD-2?
É uma resina polimérica adsorvente utilizada no trem de amostragem de dioxinas, furanos e compostos semivoláteis: o efluente gasoso passa pelo cartucho resfriado e os compostos orgânicos ficam retidos na resina, que depois é extraída e analisada em laboratório.
Qual método mede dioxinas e furanos em chaminés?
O método de referência é o USEPA 23 (com correspondentes CETESB), em amostragem isocinética de longa duração com filtro e resina XAD-2, seguido de análise por cromatografia gasosa de alta resolução acoplada a espectrometria de massa (HRGC/HRMS).
O que são VOC e SVOC?
VOC são compostos orgânicos voláteis (solventes, hidrocarbonetos leves), medidos por FID (USEPA 25A/MHFID) ou VOST. SVOC são os semivoláteis — incluindo os poliaromáticos (HPA) —, coletados com resina XAD-2 e analisados por cromatografia.
Quais indústrias precisam monitorar dioxinas e furanos?
Principalmente as que fazem tratamento térmico de resíduos (incineração, coprocessamento em fornos de cimento), crematórios, siderúrgicas e fontes com combustão de materiais contendo cloro. A exigência consta da licença de operação e da Resolução CONAMA nº 316/2002.
Por que os limites de dioxinas são tão baixos?
Porque são compostos extremamente tóxicos, persistentes e bioacumulativos: efeitos ocorrem em doses minúsculas. Por isso os limites são expressos em nanogramas de equivalência tóxica por normal metro cúbico (ng TEQ/Nm³).
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